Transformers é uma franquia cheia de altos e baixos, mas na maioria das vezes cumpre o que promete. Sim, sou do tipo que sabe apreciar um blockbuster de qualidade e acho que para se julgar um filme como este é necessário ser imparcial.
O que parece é que muitas pessoas esquecem que Transformers vem de brinquedos de ação e desenhos animados, uma trama adulta e pesada não é uma necessidade aqui, apesar de que também cairia bem.Resumindo, para gostar de Transformers 3 é necessário gostar dos filmes anteriores, e para gostar dos filmes anteriores é necessário simpatizar com a trama, caso contrário, este com certeza não é o seu tipo.
Prometendo uma experiência única em 3D e um bom motivo para esquecer a existência do segundo filme, Transformers: O Lado Oculto da Lua chega ao Brasil nesta sexta-feira. O longa teve uma intensa campanha de marketing no Brasil, contando inclusive com a presença do diretor e elenco por aqui.
De fato, Michael Bay conseguiu aparar algumas pontas e este terceiro filme é indiscutivelmente melhor do que o segundo. Mas, claro, para alguns a expressão poderia ser “mais suportável” e opinião, inclusive, totalmente oposta; o que sustenta a nota sete apenas e unicamente para o público fã dos robôs. Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.
Transformers: O Lado Oculto da Lua
por Ross L. Miller
por Ross L. Miller
O terceiro filme da franquia Transformers chega cheio de expectativas para os fãs. Não exatamente pelo frisson, mas pelo temor de Michael Bay repetir o desastroso resultado do antecessor, culpa convenientemente jogada à greve de roteiristas em 2007. Mas parece que Bay estava sendo sincero quando afirmou que A Vingança dos Derrotados (péssima tradução) era um lixo. Nota-se um esforço, em O Lado Oculto da Lua, de Michael Bay retornar aos elementos clássicos dos desenhos animados e, pasmem, de controlar um pouco seus “vícios” de produção.O filme começa com uma narração de Optimus Prime comentando sobre a guerra em Cybertron e sobre o evento no qual seu antecessor, Sentinel Prime, desapareceu em uma nave chamada Ark, numa tentativa de proteger a “última esperança de Cybertron”. É perceptível aqui uma tentativa de se aproximar da ficção dos desenhos animados e quadrinhos tradicionais (um dos roteiristas do filme é do desenho original) exceto pelo fato de que a nave caiu na Lua. Detectada pelas superpotências durante a Guerra Fria, a busca dessa nave desencadeou a corrida espacial. Essa premissa torna o episódio, pelo menos durante sua primeira metade, um filme com alto teor conspiratório que insere até Chernobill na trama, o que, por si só, já ajuda a distanciá-lo dos seus antecessores.
Sam Witwicky (Shia LaBeouf) é agora um homem recém-formado e desesperado em busca do seu primeiro emprego. Depois de levar um pé na bunda de Mikaela (Megan Fox), conhece sua nova namorada, Carly Spencer (Rosie Huntington-Whiteley) ao receber uma medalha de bravura pelo presidente. Apesar da explicação mal colocada da substituição, Rosie consegue a proeza de colocar Megan Fox no passado da franquia. Fox simplesmente não faz nenhuma falta nenhuma. Rosie é mais bonita, mais sexy, melhor atriz e o mais importante, tem alguma utilidade.
Com um pequeno dedo do governo, o garoto enfim consegue seu primeiro emprego, sendo Bruce (John Malcovitch) seu chefe. Dentro da empresa, é alertado por um funcionário, que reconhece a ligação de Sam com os Autobots, sobre assassinatos de humanos por Decepticons e de um “segredo”, motivando-o a procurar por Optimus Prime.
A partir de então o clima conspiratório vai sendo substituído, aos poucos, por um filme quase clássico de Michael Bay. Quase porque, por um lado, a ação vai tomando conta do enredo de uma forma que não dá espaço para respirar. Por outro, o diretor parece se conter de forma relativa em relação a alguns de seus vícios, destacadamente as cenas em slow motion, contra-sol e frases bregas. Não que não existam, mas estão moderadas, e isso é um ponto para o filme.
Em contrapartida, alguns elementos secundários que erroneamente foram apontadas como motivo para o fracasso do segundo filme, notavelmente o humor, foram contidos de tal forma que o filme se tornou demasiadamente sério. O Lado Oculto da Lua é um Transformers muito mais pesado que seus antecessores, com direito a humanos sendo vaporizados e assassinados. Pode parecer um ponto positivo para quem desejava um filme mais adulto, mas ver Shia LaBeouf e John Turturro contidos na sua improvisação os apaga demais, e isso pode ter a ver com as recentes farpas trocadas entre Shia e Michael Bay e o anúncio de que ambos estarão fora do quarto filme, caso ele seja produzido.
Outros pontos, como o excesso de robôs, não incomoda tanto aqui como no segundo longa. Continuamos vendo o “estupro” de máquinas nas telonas tão criticado no segundo, aliás, muito mais robôs. Por outro lado, é dada a atenção apenas aos robôs que realmente fazem alguma diferença na história, particulamente o decepticon Laserbeak, encarnado aqui como uma espécie de Fênix metálica.
Apesar dos altos e baixos, Transformers: O Lado Oculto da Lua se aproxima do primeiro filme e, de alguma forma, redime a direção do fiasco do segundo. Mas superar o segundo filme não é um grande feito, mesmo para um Michael Bay. E se houver um quarto filme, só o fato de que Bay estará fora já é uma boa notícia.
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